Curiosidades do nome

O significado do vocábulo Piumhi é historicamente documentado, e vem do tupi rio de peixe, referindo-se a rio homônimo. Para a análise do vocábulo é colocada em prática a lição de Teodoro Sampaio em sua obra “O Tupi na Geografia Nacional”. De acordo com seus escritos, para se conseguir a etimologia de um topônimo, em primeiro lugar, deve-se verificar como o mesmo era grafado primitivamente, ou seja, como ficou registrado e escrito nos mais antigos documentos.

Em todos os documentos antigos, sejam arquivos eclesiásticos ou históricos, sem exceção, o nome do lugar e do rio figura como Piauhy.

Histórica e documentalmente registrados assim era escrito: a) no relatório do Alferes Moreira (“Notícias Práticas das Minas Gerais: do Ouro e Diamantes”; b) na 2ª prática, dada pelo Alferes Moreira ao Padre Diogo Soares das suas bandeiras no descobrimento do celebrado Morro da Esperança, empreendido nos anos de 1731 e 1732); c) em todos os pedidos de sesmaria da região; e, d) nos documentos verificados na última década do século XVIII e princípios do século XIX. Em todos esses registros, a grafia é sempre Piauhy.

No arquivo eclesiástico de Mariana também se encontram inúmeros documentos com essa grafia, como por exemplo, um abaixo-assinado, datado de 1823 em que, os aplicados da capela de São Roque, pedem que fique sua capela filiada à Paróquia do Piauhy. Mas ainda neste mesmo arquivo eclesiástico também encontra-se documentos onde se lê a grafia Piauim. Assim também grafava, nos arquivos paroquiais, o primeiro vigário da vara, o Padre Félix José da Silva. No entanto, outros vigários escreviam Piuhy.

Analisando pelos mencionados registros antigos, verifica-se a transformação na forma de escrever: o inicial Piauhy passou a ser escrito como Piauim, o que leva à conclusão de ter ocorrido a chamada nasalação do fonema.

A nasalação é um vício herdado do das línguas indígenas, como frisado pela reconhecida autoridade no assunto, Teodoro Sampaio, obra citada. Portanto, no caso em tela, é fácil concluir: o primitivo Piauhy, passou a Piauim e, operando-se mais fortemente a nasalação do fonema, com o tempo foram ocorrendo algumas mudanças até originar o nome final Piumhi.

Por sua vez em relação ao significado do fonema Piumhi, a mesma regra há que ser seguida: a análise deve ser feita sempre levando-se em consideração os fatos e atos registrados: se a grafia primitiva era Piauhy e, se no século XIX operou-se a nasalação do fonema, tem-se que procurar o significado do termo primitivo, comum e generalizado.

Sem qualquer sombra de dúvida, Piumhi foi a deturpação do nome primitivo Piauí. Temos assim: piau = peixe; i = água, rio formando assim Piauí, que se traduz por rio de peixe.

O motivo especial desse nome é fornecido pelo Alferes Moreira, que quando referindo-se ao Rio Piauí relatou: “tem muito peixe”.

Ora, o sertanista menciona o Rio São Francisco, sertanista este que percorreu largo trecho do Rio Grande, fez referência ao Rio Lambari, citou o Rio Verde, relatando a todos como muito piscosos. No entanto só o rio Piauí chamou-lhe a atenção dada a abundância de peixes.

A última forma ”Piumhi acabou por ganhar a simpatia dos moradores da cidade pelo nome, fato que levou à criação de uma lei estadual oficializando a grafia1 .

Por outro lado, é importante mencionar que os topônimos de origem tupi em Minas Gerais não foram criados pelo indígenas região, uma vez que estes não eram de etnia tupi, fato que os impede criar designações tupis. Estes topônimos eram criados, ou pelos índios que guiavam as expedições, índios do litoral, ou mesmo pelos próprios bandeirantes como Batista Maciel, que falavam a língua geral.

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